quinta-feira, 10 de julho de 2008

Senado aprova projeto contra crimes de pedofilia na internet

Postado por Admin às 10.7.08

ONG Safernet afirma que projeto de lei proposto pela CPI da Pedofilia passou sem emendas e critiva projeto de Azeredo.

Além do projeto de lei do senador Eduardo Azeredo, que tipifica crimes eletrônicos na internet, o Plenário do Senado aprovou nesta quinta-feira (10/07) o projeto de lei (PLS 250/08) proposto pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia. O PLS criminaliza novas condutas envolvendo crianças e adolescentes e atualiza penas para crimes já previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Na avaliação de Thiago Tavares, presidente da Safernet, ONG que defende os direitos humanos na rede, o projeto proposto prela CPI da Pedofilia é mais claro do que o projeto de lei de Azeredo quando se trata de armazenar conteúdos de pornografia infantil com a finalidade de gerar provas judiciais.

"O PLS que tem como relator o senador Eduardo Azeredo criminaliza a posse, mas não esclarece que não é crime se a posse tem a finalidade de comunicar a autoridade competente sobre o crime de pedofilia", critica Tavares.

O PLS que tipifica crimes eletrônicos está mais avançado do que o projeto contra a pedofilia. Ele segue para três comissões da Câmara dos Deputados - Ciência e Tecnologia, Constituição e Justiça e Educação - e pode ser aprovado na Câmara até o final do ano, informou o assessor de Azeredo, José Henrique Portugal.

Tavares considerou a redação do PLS de Azeredo "absolutamente temerária", ressaltando que a posse destes conteúdos por autoridades, provedores de acesso e entidades de combate à pornografia infantil não é considerada crime no PLS 250/08, de acordo com o Artigo 241.

"Esperamos que o debate continue na Câmara, que seja transparente e não excludente (...), ouvindo o Ministério Público Federal e o Comitê Gestor, por exemplo", observa o advogado e presidente da Safernet.

O objetivo do projeto é tornar mais clara a legislação para melhor coibir a prática da pedofilia, intensificando o combate à produção, à venda, à distribuição e ao armazenamento de pornografia infantil, criminalizando condutas como a aquisição e a posse de material pedófilo por meio da Internet. A matéria agora vai à Câmara dos Deputados.


De acordo com o projeto, aliciar, instigar ou constranger criança, por qualquer meio de comunicação - prática conhecida como grooming -, a praticar "ato libidinoso" será crime passível de pena de um a três anos de reclusão, além de multa. Nas mesmas penas incorrerão aqueles que facilitarem ou induzirem o acesso de crianças a material pornográfico ou a as levarem a se exibir de forma sexualmente explícita.

O projeto também propõe a definição de pornografia infantil, que passará a compreender "qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas ou insinuadas, ou exibição dos órgãos genitais para fins primordialmente sexuais".

A proposta também modifica o artigo 240 do ECA para punir quem "produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente". A pena para esses delitos, conforme o projeto, será de quatro a oito anos, mais multa.

Quem vende ou expõe à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha sexo explícito ou pornográfico envolvendo criança e adolescente também estará sujeito a pena de quatro a oito anos, além de multa.

A distribuição de material contendo pornografia infantil - seja oferecendo, trocando, transmitindo, publicando ou divulgando por qualquer meio, inclusive por sistema de informática ou telemático (rede de telecomunicação) -, como fotografia, vídeo ou outro registro, também passaria a ser punida com pena de reclusão de três a seis anos.

Também se estabelece punição aos provedores de Internet que asseguram os meios ou serviços para o armazenamento dessas imagens ou que asseguram o acesso pela Internet a essas informações. A punição aos provedores, nesse caso, cabe quando deixarem de desabilitar o acesso a material sobre pedofilia.

Fonte: IDG Now

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