Desvalorização do dólar, impostos altos, maior competição com empresas de outros países são principais desafios para companhias do setor aumentarem lucratividade.
Crescer em offshore no Brasil está a cada dia mais complicado, diz a consultoria IDC, pois o mercado local de serviços de TI está extremamente acirrado.
Além da presença de empresas indianas, européias e americanas, os fornecedores têm que atender a exigências cada vez mais freqüentes dos clientes em manter pessoal capacitado e dentro das normas trabalhistas, o que acarreta encargos onerosos que comprometem suas despesas. Alia-se a isso a desvalorização do dólar e altos impostos.
Mauro Peres, presidente da IDC Brasil, diz que neste momento o desafio das empresas que oferecem serviços de TI no Brasil é aumentar a lucratividade. A opção de algumas delas, segundo Peres, é partir para projetos regionalizados como forma de gerar mais lucro e ganhar fôlego. Outras têm a intenção de abrir capital e fusões também são bem vistas para conquistar presença regional ou aumentar o portfólio de clientes.
De acordo com a IDC, as margens de lucro na atividade de serviços caíram muito nos últimos anos e os custos das empresas vêm aumentando ano-a-ano. Em contrapartida, dado o aumento da competitividade, está sendo cada vez mais difícil passar para o cliente esse aumento nos custos.
O Brasil ocupa a 10ª posição no ranking global de serviços de TI, de acordo com a consultoria IDC. O país está à frente de outras nações do BRIC nos investimentos com serviços de TI e vem atraindo uma série de novos fornecedores multinacionais de serviços de TI.
Apesar disso, a taxa de crescimento do Brasil em serviços de TI vem declinando ao longo dos anos. Peres considera este processo natural no caminho à maturidade. Hoje, está na casa dos 11%, deixando para trás os 20% de crescimento que acumulava na década de 90 e os 15% de 2000.
No mundo, serviços de TI movimentam 491 bilhões de dólares e a taxa de aumento está em pouco mais de 5%. Ao Brasil, que movimentou em 2007, 8,6 bilhões de dólares, cabe a fatia de 1,7% do montante mundial.
Segundo a IDC, várias empresas indianas, européias e americanas começarão ou intensificarão suas presenças no Brasil em 2008. A entrada de novas multinacionais, o fato de companhias de outros segmentos começarem a explorar serviços e o surgimento de pequenas empresas neste nicho é o que vem segurando a concentração do mercado brasileiro.
Apesar de todo o movimento de fusões e aquisições, o mercado continua bastante fragmentado. As dez maiores empresas de serviços de TI, por exemplo, representam menos de 40% das vendas no país.
Recentemente, o Gartner fez uma lista com os países que considera os principais destinos de offshore. O Forrester, em contrapartida, afirmou recentemente que a Europa ainda não está tão preparada para contratar serviços offshore.Fonte: Computerworld
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